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05/10/2018
Em SP, turistas se divertem em maratona de bebedeira pela Vila Madalena

Suas origens são distintas, mas o objetivo de grande parte destes rapazes e garotas é o mesmo: encher a cara em uma maratona de bebedeira conhecida como "pub crawl".

Trata-se de uma atividade turística cujo nome pode ser traduzido como "rastejamento por bares": durante a noite e a madrugada, todos serão conduzidos por guias através de diversas baladinhas da Vila Madalena, ganhando bebidas destiladas em cada parada (e ficando, a cada copo virado, mais propensos a se arrastar no chão).

O primeiro passo, entretanto, é fazer o chamado "esquenta" no Bar do Betinho: durante uma hora, os participantes do "pub crawl" (que, nesta noite, somam 85 pessoas) podem beber à vontade. À disposição, há cervejas da marca 1500 e uma receita poderosa conhecida como "catubreja" (mistura de catuaba com cerveja), um líquido escuro e espumoso servido alegremente pelos garçons (e tragado sem cerimônias por muita gente da festa).

Para completar este festival pouco ortodoxo de ingestão etílica, uma das funcionárias do "pub crawl" passa no meio das pessoas despejando, de boca em boca e direto da garrafa, doses de pinga com sabor de maracujá. Famosa por ser um calmante, a fruta, entretanto, só contribui para deixar a aguardente mais fácil de beber e turbinar este grupo de boêmios para se jogar nas baladas da Vila Madalena.

Atividade famosa

O "pub crawl" é uma atividade famosa no mundo inteiro: muito populares entre turistas, estas maratonas etílicas existem em cidades como Berlim, Nova York, Buenos Aires e Sydney. E em São Paulo, o passeio tem atraído bastante gente. O "pub crawl" do qual o UOL participou costuma ser realizado três vezes por semana e chega a reunir, aos sábados, mais de 150 pessoas.

"Nosso público é composto por 90% de brasileiros e 10% de estrangeiros. São pessoas que estão interessadas em conhecer gente nova em um ambiente divertido", conta Paula Castanho, que organiza o tour. E, realmente, tudo contribui para a interação entre os participantes. Ainda no Bar do Betinho, entre "catubrejas" e goladas de pinga, os jovens se conhecem e se entretêm em joguinhos etílicos: em um deles, pessoas se desafiam a jogar bolinhas de pingue-pongue dentro de copos de cerveja. Ao acertar o alvo, o oponente deve tomar, de um gole só, a bebida.

O roteiro a ser seguido após o Bar do Betinho, por sua vez, é tão variado como as bebidas servidas no "esquenta". A primeira parada é o Nola Bar, uma casa noturna a poucos minutos de caminhada que toca estilos como black music, música pop, brasilidades e rap. Depois, são visitadas as baladas Matrix (com uma programação de rock 'n' roll) e Na Quebrada (com DJs tocando funk). Há também a opção de ir até o Boteco Pimenta, embalado por música sertaneja. 

Para chegar ao Nola, todos os participantes atravessam as apinhadas ruas da Vila Madalena sob a condução de funcionários do "pub crawl" carregando guarda-chuvas de cor laranja. Na hora de cruzar as ruas, estes guias ficam com a atenção redobrada: "Muita gente aqui já está meio bêbada. Temos que garantir que ninguém seja atropelado", diz um deles.

Despedida de solteiro e busca por paquera

Um dos turistas presentes é um jovem de Campinas, no interior de São Paulo, que resolveu usar o "pub crawl" para celebrar sua despedida de solteiro com um grupo de amigos. "Achei que era uma ótima oportunidade de conhecer a Vila Madalena ao lado de gente legal e de encher a cara antes do meu casamento", conta ele.

Um viajante italiano, por sua vez, diz que um de seus objetivos no tour é conhecer garotas, mas reclama que "há homens demais" (e, de fato, o sexo masculino era majoritário neste "pub crawl" do qual o UOL participou). Ao seu lado, um turista do Paraná afirma já haver participado de "pub crawls" na Europa, mas que esta versão paulistana do passeio é "bem mais divertida". "O pessoal aqui está muito mais animado e mais propenso a fazer amizade", avalia ele. 

E o tour ganha um upgrade de entusiasmo quando a trupe chega ao Nola: primeiramente, todos ganham um copinho com uma mistura de bebidas etílicas impossíveis de serem decifradas, para depois se jogar no ambiente escuro e apertado da balada, dominado por hits do momento tocados em volume altíssimo: ao som da Pabllo Vittar, um turista do Sul requebra no meio de um grupo de amigos paulistas, enquanto dois suíços, que inicialmente pareciam reservados e tímidos, soltam a cintura entre os brasileiros.

Os passos de dança, por sua vez, dão lugar a cantos a plenos pulmões depois que o passeio ingressa no Matrix: na entrada, as pessoas ganham mais um drinque etílico (este parece conter canela em sua receita) e, no meio da pista, dezenas dos participantes entoam clássicos do rock como "Mr. Brightside", do Killers.

O tempo voa e, de repente, já é quase 1h. A balada, porém, ainda está longe de terminar. Ao saírem do Matrix, os "pub crawlers" (muitos já visível e alegremente bêbados) têm que decidir: ir ao bar Na Quebrada para ouvir funk ou ao Boteco Pimenta para assistir a apresentações ao vivo de música sertaneja e pagode. O grupo se separa e quase todos partem, a passos trôpegos, rumo às festas que irão atravessar a madrugada, em uma boa amostra da vida noturna frenética que pode ser encontrada em São Paulo.

Além da Vila Madalena, o "pub crawl" é também realizado na rua Augusta: o preço do passeio custa entre R$ 50 e R$ 60.

Mais informações: pubcrawlsp.com

Fonte: https://viagem.uol.com.br/noticias/2018/10/05/em-sp-turistas-se-divertem-em-maratona-de-bebedeira-pela-vila-madalena.htm